sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Casa do Pai

Durante uma madrugada fria e silenciosa, me encontro sentada em minha cama e, cansada de ouvir tantas palavras inúteis durante o dia, coloco meus fones de ouvido que me consolam nesse momento em que o sono não me alcançara. Ponho então uma música  qualquer pra esperar ele chegar.
Entretanto, algo estranho ocorre: a “música qualquer” que ecoa em meus ouvidos, começa a invadir meu coração de lembranças. Pois a letra trás a memória fatos que, até então, permaneciam guardados no baú de recordações da minh’alma.
Então, fatos passados, em que não me orgulho mas que são aprendizados, começam a penetrar em meus pensamentos. Fatos que me ensinaram o valor do AMOR que eu havia negado, o amor do Pai.
Ocorrera assim: após tanto tempo sendo ensinada e principalmente amada por meu pai, em um certo dia que uma crise de adolescência me domou, eu fui invadida por uma ingratidão obscura e, consequentemente, por atitudes baseadas em tal sentimento destrutivo.
Uma dessas atitudes me levou a dar as costas a meu Pai e declarar independência à Ele. E meu pai, justo e piedoso como sempre, permitiu que eu fizesse minhas escolhas. Elas me levaram para distante do Pai e eu achei que conseguiria sozinha.
Então comecei a conhecer esse mundo, seguir meus próprios conceitos, me basear na minha própria capacidade, caminhar por um lugar que me levaria ao abismo. Eu demorei pra admitir que estava indo contra o que era certo, pois o orgulho me cegou e a falsa independência me enganou. Eu estava correndo muito rápido na direção errada e me deparei com um vale de dor e morte. Eu precisei ser totalmente machucada e quebrada pra ver a verdadeira face do mundo que minha desobendiência me levara, e reconhecer que estava na hora de voltar para meu Pai. 
A saudade e o arrependimento invadiram todo meu ser. Então, em um gesto mostrando minha total dependência, declarei o que essa música passa:
“[...] Pai eu sei que não mereço
Mas eu não tenho pra onde ir
Eu sinto tanta saudade
De conversar contigo
Saudades do meu amigo
Saudades do meu Pai.[...]”
Pensei que Ele não me aceitaria novamente, eu não merecia seu perdão. Contudo, ao vê-lo fui surpreendida, pois Ele me esperava de braços abertos. Ele me perdoou, sarou as feridas que o mundo sombrio causara em minha alma e simplesmente, derramou sobre mim o Seu infinito amor, mesmo eu não sendo merecedora.
“... Eu vou voltar pra casa do Pai
Eu quero o amor da casa do meu pai
E repousar tranquilo
Nos braços do meu pai...”
Então agora, sentada no silêncio dessa madrugada, meu coração se enche de gratidão e amor e me obrigo a refletir: Nunca estive sozinha! Meu pai jamais me abandonara, nem mesmo quando virei as costas. Ele sempre se manteve próximo, me acompanhando , me olhava com seus puros olhos de amor e aguardava o momento em que eu reconheceria o quão dependente dEle sou.
“O interessante é que Deus sempre nos aceita de volta”


Redação escrita por Alexsandra Alves Rosa 
dia  19 de Setembro de 2011. 
2° ano do ensino médio – língua portuguesa

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