Entretanto, algo estranho ocorre: a “música qualquer” que
ecoa em meus ouvidos, começa a invadir meu coração de lembranças. Pois a letra
trás a memória fatos que, até então, permaneciam guardados no baú de recordações
da minh’alma.
Então, fatos passados, em que não me orgulho mas que são
aprendizados, começam a penetrar em meus pensamentos. Fatos que me ensinaram o
valor do AMOR que eu havia negado, o amor do Pai.
Ocorrera assim: após tanto tempo sendo ensinada e
principalmente amada por meu pai, em um certo dia que uma crise de adolescência
me domou, eu fui invadida por uma ingratidão obscura e, consequentemente, por
atitudes baseadas em tal sentimento destrutivo.
Uma dessas atitudes me levou a dar as costas a meu Pai e declarar independência à Ele. E meu pai, justo e piedoso como sempre, permitiu que
eu fizesse minhas escolhas. Elas me levaram para distante do Pai
e eu achei que conseguiria sozinha.
Então comecei a conhecer esse mundo, seguir meus próprios
conceitos, me basear na minha própria capacidade, caminhar por um lugar que me
levaria ao abismo. Eu demorei pra admitir que estava indo contra o que era
certo, pois o orgulho me cegou e a falsa independência me enganou. Eu estava correndo muito rápido na direção errada e me deparei com um vale de dor e morte. Eu precisei ser
totalmente machucada e quebrada pra ver a verdadeira face do mundo que minha
desobendiência me levara, e reconhecer que estava na hora de voltar para meu
Pai.
A saudade e o arrependimento invadiram todo meu ser. Então, em um gesto mostrando minha total dependência, declarei o que essa música passa:
A saudade e o arrependimento invadiram todo meu ser. Então, em um gesto mostrando minha total dependência, declarei o que essa música passa:
“[...] Pai eu sei que não mereçoMas eu não tenho pra onde irEu sinto tanta saudadeDe conversar contigoSaudades do meu amigoSaudades do meu Pai.[...]”
Pensei que Ele não me aceitaria novamente, eu não merecia
seu perdão. Contudo, ao vê-lo fui surpreendida, pois Ele me esperava de braços
abertos. Ele me perdoou, sarou as feridas que o mundo sombrio causara em
minha alma e simplesmente, derramou sobre mim o Seu infinito amor, mesmo eu não
sendo merecedora.
“... Eu vou voltar pra casa do PaiEu quero o amor da casa do meu paiE repousar tranquiloNos braços do meu pai...”
Então agora, sentada no silêncio dessa madrugada, meu
coração se enche de gratidão e amor e me obrigo a refletir: Nunca estive
sozinha! Meu pai jamais me abandonara, nem mesmo quando virei as costas. Ele
sempre se manteve próximo, me acompanhando , me olhava com seus puros olhos de
amor e aguardava o momento em que eu reconheceria o quão dependente dEle sou.
“O interessante é que Deus sempre nos aceita de volta”


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